Ônibus e Instinto
Das raras vezes que vou a terminais de
ônibus me ocorre a mesma ideia: as características mais primitivas do gênero
humano se esgarçam neste espaço. Já fazia algum tempo que planejava escrever
sobre isso até que encontrei com o colega Iná, recentemente, e comentei sobre a
questão. Nada como uma mesa de bar para se revelar os pensamentos mais ingratos.
Percebo que, numa fila de ônibus, as
noções de civilidade idealizada com as cidades modernas - sob os novos
paradigmas de urbanismo que surgiu no final do século XIX - juntamente com as ideias de circulação e convivência, fracassaram.
As pessoas se acotovelam por um mero lugar no transporte coletivo. Pouco
importa o axioma "amai o próximo como a ti mesmo". As pessoas só se
interessam em seu relativo conforto.
Já vi coisas absurdas: homens sobrepujando
mulheres, jovens subjugando idosos, adultos pisoteando crianças. Não interessa
classe social, gênero sexual, faixa etária. Qualquer interesse coletivo é
desapropriado em prol dos benefícios individuais. Os instintos desafiam a
própria noção de comunidade.
Posso imaginar, nos tempos das savanas, o
ímpeto dos nossos primeiros ancestrais ao se deparar com a escassez de certo
alimento. Obviamente, naquela época eles também se acotovelavam, digladiavam-se
diante da necessidade biológica.
O fato é que as pessoas se acostumaram com
as tentativas de civilizar ou domar os instintos e isso, nos estudos psicológicos, se chama "reprimir". Essa
é uma das maiores falácias que vivemos. Nunca fatores biológicos vão de curvar
diante de visões civilizadas, por mais que estejam encobertas por bons interesses. Essa é a verdade.
Com isso, concluo que pessoas no
transporte coletivo é apenas um exemplo de como os fatores biológicos moldam o
nosso modo de viver. Uma leitura de Instinto
Humano, de Robert Winston, explica bem certas questões. Elas são sempre as
mesmas, mas apresentam-se com uma nova roupagem.
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