A Ciência Mais Importante

Um dia desses comecei a ler Saber de e Saber Que, de Leônidas Hegenberg. Por algum motivo ele se diz ignorar muita coisa, inclusive as ideias marxistas. Esse foi o motivo o qual eu não consegui terminar a leitura. Foi inquietante virar as páginas de alguém que se diz ignorar nada mais nada menos que Karl Marx.
Não que eu seja um marxista ferrenho, mas acho alguns de seus escritos geniais, principalmente A Ideologia Alemã ­- que causa orgasmos em qualquer um que goste de escárnio e deboche elegantes.
Marx não apenas rompeu com Hegel como também depois dele se passou a dar mais importância aos efeitos materiais no mundo e tudo que nele há. Mas não é sobre isso que queria falar. 
Algumas vezes discuti com meu primo Rafael sobre minha inclinação à Filosofia e Sociologia. Segundo ele, são ciências que não dão nenhuma contribuição à sociedade e por isso mesmo indignas de ser estudadas. Poderia pedir pra ele ler as explicações de Giddens sobre essa questão, mas seria muito oneroso intelectualmente para alguém relapso e indisciplinado.
O fato é que ele defende que existe uma ciência que seja mais importante que a outra. No caso, seria a Física e todos os outros campos de estudo que compõem o rol de Ciências Exatas.
Primeiramente, Filosofia e Sociologia são apenas disciplinas e, conceitualmente, não se caracterizam como ciências. Pensar que as Ciências Exatas são mais importantes que outras áreas de conhecimento só são justificadas pela Era em que vivemos.
A modernidade é um período dedicado à técnica. Quanto mais desenvolvimento tecnológico um país atinge, maior de seu nível de dominância. Os Estados Unidos são um bom exemplo: somente após o país industrializar-se foi que se tornou uma potência mundial. E isso, teoricamente, se explica com o belo materialismo histórico de Marx.
Não existe uma disciplina de estudo que seja mais importante que outra. O que causa esse delírio é o contexto social em que vivemos.

A princípio, todas as ciências derivaram da Filosofia que, etimologicamente, nada mais é que apego/amor à ciência. Quem resolveu separar em campos de estudo foi, de certa forma, Aristóteles - um sujeito extremamente meticuloso que, provavelmente, colocaria etiquetas em tudo, inclusive no próprio etiquetador.

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