Dia Internacional da Mulher

O mundo respira melhor quando tem mulher bonita por perto. É mais ou menos isso que Luiz Felipe Pondé diz em seu Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. O mundo seria extremamente sem-graça se não existissem mulheres.

O que me incomoda é o fato de ter-se comercializado o Dia Internacional da Mulher e criado toda uma instituição de se presentear. Vejamos:  a data surgiu para celebrar os ganhos sociais na História da emancipação feminina nos últimos séculos. A data, apesar da não confirmação da história, se refere ao episódio em que algumas dezenas de trabalhadoras morreram num incêndio nos Estados Unidos.
A maioria das mulheres parece mais interessada nos ganhos materiais oriundos da tragédia envolvendo suas semelhantes. Ao meu entender, a melhor forma de se celebrar tal ocasião seria incinerar algumas dezenas de mulheres - de preferência feministas feias, mal-vestidas e solitárias.

Brincadeiras à parte, devemos considerar o fato de que a convenção social de presentear não tem sentido algum, na minha humilde interpretação do estudo de Marcel Mauss. Segundo este estudioso, o princípio da dádiva se apoia no tripé dar-receber-retribuir. Desta forma, se alguém nos oferece algo, temos que receber. E se recebemos, nos sentimos na obrigação - numa espécie de lei invisível - de retribuir; gerando um ciclo interminável.

Não costumo dar presentes para outras pessoas justamente por isso. Aniversários, Páscoa, Natal e qualquer outra comemoração fica a lacuna dos meus presentes. É mais fácil cair neve em Manaus do que alguém me ver presenteando outrem.

Por exemplo, nos quatro anos que passei com minha ex-namorada, consigo lembrar que em apenas uma ocasião lhe presenteei com um par de brincos. O fiz apenas porquê tive vontade, não se tratava de nenhuma data comemorativa. (E esse não foi o motivo da nossa separação. Era um preço que a minha parceira pagava por se apaixonar por alguém que não segue os padrões convencionais de socialização)

Aposto que nenhuma mulher jamais ouvira falar em Hipátia, uma brilhante filósofa romana-egípcia que, coincidentemente, foi assassinada por fanáticos cristãos no dia 8 de Março, no Século V. Esta mulher deveria ser lembrada na referida data pelas entusiastas, afinal lutou pra ser reconhecida numa sociedade que verdadeiramente tolhia os direitos das mulheres. 

Hoje em dia as mulheres gozam de certa liberdade, mas a usa apenas para fazer top less numa praia e ainda se vangloriar de tal pioneirismo heroico. Por fim, é complicado para um misantropo machista falar sobre esta data. No mais, agradeço à natureza por nos dar as mulheres, afinal os papéis são construídos biologicamente, para depois se tornarem sociais.

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