Bom Descanso!

Bom descanso! É o que diz o meu colega de trabalho Leonardo quando trocamos o turno. Confesso que nunca tinha ouvido tal saudação e, desde a primeira vez que ouvi, reflito sobre as implicações existenciais desta sentença. Mas o ponto que me chama mais atenção é que esta frase não está atrelado ao bem-estar do indivíduo diretamente, ela revela uma preocupação primeira com a manutenção das atividades laborais.

Trabalhar sempre foi algo comprovadamente difícil para mim. Nunca vi bem a ideia de dedicar meu tempo à atividades que não me dão prazer. Dedicar-se em prol do enriquecimento alheio soa até mesmo como insano. Pelo menos insano no sentido da acumulação pela acumulação, como um fim em si mesmo. Weber trata disso quando explica o que significa o espírito do capitalismo. Porém, essa vontade de ganhar mais e mais dinheiro soa sem sentido para quem se importa mais com as questões imateriais da existência.

Nos lugares em que a cultura capitalista não penetrou, a transformação do trabalho em lucro, a mais-valia e qualquer forma de capital continuam sem significado. Isso foi o que causou o estranhamento dos indígenas por parte dos europeus, arrivistas e já impregnado pelo capitalismo embrionário. Isso rendeu aos indígenas e seus herdeiros culturais o epíteto injusto de preguiçoso, indolente.


Entretanto, tivemos de nos acostumar com o trabalho e com a exploração deste trabalho pelo sistema capitalista. Não se render significa uma vida de abstenção. O mais fácil é se adequar e ver a sua vida girar em torno de um ofício. E, logo depois de uma jornada de trabalho, o mais importante não é pensar como utilizará seu tempo-livre e sim usá-lo para se recuperar e chegar pronto para uma nova jornada.

O capitalismo é um jogo com regras bem definidas. Passamos algumas fases e até ganhamos algumas moedas mas, no final, nunca ganhamos. O que temos é uma lápide com a inscrição Game Over e várias vidas deixadas para trás.

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