Filhos, Filhos
"Filhos,
Filhos... Melhor não tê-los". Citar o "Poema Enjoadinho" de Vinícius
de Moraes publicamente num grupo do WhatsApp causou estranhamento com uma
colega de trabalho.
O
fato é que as pessoas seguem à risca a máxima bíblica de crescer e se
multiplicar. Mas, mais do que bíblico, essa é uma máxima biológica
que conduz bastante a nossa forma de agir.
Sexo,
dinheiro, amor, família, carreira, status; praticamente tudo está relacionado
com a finalidade latente de reprodução ‑ moldando não apenas nosso sentido de
moralidade, mas também criando-se uma ética que é responsável pela nossa
conduta.
Já
tive, em uma oportunidade, a vontade de ter filhos. Inclusive, em dedicatória
da minha monografia escrevi: "Aos meus filhos, que habitam apenas o mundo
das ideias...". Porém, não consigo mais me imaginar sendo um pai. Essa
função exige tamanha dedicação e altruísmo que chega a me assustar.
Vejo
pessoas abandonando seus sonhos, passando por dificuldades financeiras e ainda
disseminando a hipocrisia de que ter um filho não foi um erro. O pior é ainda
ter de ouvir dos nossos pais que não fomos feitos ao acaso ou por um infortúnio.
Um
dia desses preenchi um formulário na empresa em que
trabalho e percebi o quanto
é agradável responder com o numeral zero (0) quando perguntado sobre a
quantidade de filhos. Quem saiba um dia eu cometa este erro. Mas, por
enquanto, prefiro uma paráfrase do filósofo romeno Emil Cioran: cometerei todos
os pecados, menos o de ser pai.
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| Emil Cioran |

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