O Vírus e O Meu Trabalho na Hotelaria

Eis-me aqui olhando a tela deste computador. É a primeira vez que escrevo um texto enquanto estou na recepção do hotel em que trabalho. Abro a Ocupação e Receita e vejo apenas uma chegada prevista. Provavelmente, o hóspede não virá. 
A crise que assola o mundo tem trazido a sugestão de que nada mais será como antes. Certas mudanças em nossos sistemas políticos e econômicos certamente virão. Mas, sem entrar no âmbito das projeções, previsões e especulações, ultimamente, sempre que compartilho os dados da minha auditoria com a concorrência, sinto uma tristeza profunda. O motivo? Poucos hóspedes na casa, quase nenhuma UH ocupada, e uma incrível sensação de solidão. Muitos daqueles que permaneceram conosco mesmo num momento tão turbulento, foram remanejados. Em breve interromperemos nossas atividades até que as coisas melhorem.
Hoje (segunda-feira), em condições normais, seria um dia agitado para nós hoteleiros. Desde a madrugada, inúmeros indivíduos chegariam das mais diversas regiões do  planeta para o trabalho nas fábricas, para o ensino nas Universidades, para  a atuação nos fóruns e para uma miríade de atividades que não me atrevo a relacionar por completo.
O que vemos é um tremendo marasmo. Posso quase ouvir o som do silêncio. Nas ruas, poucos carros se veem mesmo numa das avenidas mais movimentadas de Manaus. A ordem é permanecer em casa. Apenas os serviços essenciais seguirão funcionando. O decreto estadual do Governador já mandou fechar bares, restaurantes, praças de alimentação, academias de musculação e tudo o mais que possa gerar aglomerações. 
Enquanto não desperto deste pesadelo, vejo que não tenho a quem distribuir sorrisos. Não tenho a quem tratar com gentileza e ser o cartão de visitas da minha cidade. E, em meio à saudade daquilo que já vivi intensamente, está a esperança de que possamos logo superar este inimigo invisível. Que a Humanidade possa fazer cessar esta crise o mais breve possível. 



Dias melhores virão.


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