Idolatria Relâmpago

Regularmente visito meu primo Rafael. Depois que meu pai faleceu, é a única pessoa que me faz visitar o distante bairro de Santo Agostinho (extremo oeste de Manaus) - mesmo que não haja dúvidas que ele é um chato! Mas nossos momentos juntos são sempre divertidos e, não por isso, muito profícuos.
Em várias das nossas conversas, ele se irrita com as pessoas que, de uma hora pra outra, se dizem fãs de uma personalidade pública, principalmente quando estas morrem -- aliás, é curioso como a morte tem a capacidade de redefinir uma pessoa, principalmente na forma como ela passa a ser vista pelos remanescentes.
Lembro-me bem da morte do Chorão, da banda Charlie Brown Jr. Rapidamente as redes sociais se infestaram de comentários,  em sua maioria louvando a obra do artista. Até então, as únicas pessoas que eu conhecia e que eram grandes fãs da banda é Wagner Souza, Drih Oliveira e Danielle Barbosa. Wagner inclusive tem uma tatuagem de um trecho de uma canção desta banda.
Achei impressionante o número de pessoas que postavam lamúrias e lamentos, trechos de canções, enfim... Chorão foi, por alguns dias, o assunto principal das redes sociais virtuais, gerando uma onda de idolatria relâmpago porque muitas pessoas que ouvem funk e sertanejo viraram roqueiros na vida virtual, possivelmente,  apenas para ter o que comentar na web. 
Nada contra as inúteis homenagens póstumas. Até porquê eu sou um necrófilo, meus heróis estão quase todos mortos. Apenas acredito que devemos homenagear os nossos ídolos genuínos. Fazer comentários gratuitos apenas para ganhar curtidas não tá com nada. É fácil detectar o real do fictício, o original do falsificado, o verdadeiro do artificial. É feio, grosseiro, indecente. Um recado para os fãs virtuais: espere seus ídolos morrerem para você render-lhes homenagens. Estarei torcendo por isso!

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