Coisas pequenas e pequenas coisas
É interessante como pequenas
coisas podem ter um efeito tão grande em nossas vidas. O próprio motivo pra eu ter escrito este texto foi motivado por uma pequena experiência que me foi
proporcionada. Parafraseando uma parte da Teoria do Caos, o simples voo de uma
borboleta pode ter efeito incrível no porvir.
Assisti em tempo idos a um filme
com minha (ex) namorada. Por falta de opções escolhemos o filme Os Smurfs. Normalmente essa não seria a
escolha. Primeiramente porque não fez parte da minha infância e, tampouco, eu
pagaria por algo que, aparentemente, não me traria nenhum tipo de crescimento
intelectual ou existencial.
Sem considerações injustas,
havemos de convir que, em condições normais, um filme que fala de seres minúsculos
e azuis não deveria trazer nenhum tipo de crescimento para alguém. Entretanto,
tive uma surpresa: o filme me trouxe um ensinamento que pretendo levar para o
resto dos meus dias.
Explicando um pouco: sempre quis
ter uma casa grande, espaçosa, com piscina, suítes enormes... Enfim, algo que
fosse não somente utilitarista – afinal todos nós precisamos de um abrigo –,
mas que também fosse um símbolo de ostentação riqueza. O mundo ao nosso redor está cheio
de coisas como essa. As pessoas buscam não apenas uma forma de suprir uma
necessidade básica, mas também elevar o status, mostrar-se e exibir-se para a
sociedade.
O Teatro Amazonas, é exemplo bem claro de como funciona esse
mecanismo humano voltado ao supérfluo e desnecessário. A cidade necessitava de um teatro
maior, visto que os que existiam eram pequenos demais para a população que não
parava de crescer. No entanto, ao invés de se construir uma edificação simples,
obedecendo ao caráter utilitarista, construiu-se um verdadeiro monumento,
grandioso, pomposo e ostentador. Nota-se também que foi construído em uma
região de colinas, assim, poderia ser visto de qualquer ponto da Manaus do
final do século XIX. Algo que por si só denota poder e ostentação, ou seja, uma
mostra do que pretendiam seus idealizadores. Até que ponto isso é saudável?
Isso eu ainda não posso
responder, mas o que não havemos de duvidar é que deve haver um equilíbrio
entre necessidade e ostentação. Obviamente que não estou aqui clamando que
todos nós moremos em casebres paupérrimos quando podemos ter uma mansão
luxuosa, não é isso. Apenas atento para que, do ponto de vista psicológico ou
existencial – talvez até social – há uma linha entre a salubridade e a
insalubridade deste comportamento.
Há uma cena em que a única fêmea
entre os filhos do “papai Smurf” acha
muito estranho o casal (co-protagonistas do enredo) ter o desejo de se mudar
para uma casa maior. Segundo Smurffete (curiosamente é a única que não tem o
nome vinculado a uma característica da sua personalidade), uma casa maior os
deixaria muito distantes um do outro. Por isso, uma casa pequena seria mais
aconchegante e confortável para a família porque estariam sempre próximos um do
outro.
Isso faz todo o sentido! A
distância trás o frio, a angústia e a solidão. Somente a proximidade entre os
pares é capaz de anular sensações tão desagradáveis. O que mais importa não é
nossa imagem social ou a construção de um status através de comportamentos
medíocres como a ostentação de bens materiais. O que continua valendo realmente
são as relações sociais que estabelecemos com aqueles que amamos, são os
princípios de alteridade, a cordialidade.
Talvez
algumas pessoas consigam mostrar o que realmente não são, mas estas com certeza
nunca terão consigo a paz de ser verdadeiro primeiramente com si próprio do que
com os outros. O que interessa aos puros e bons de coração é como se veem, o
quanto confiam em seu caráter e idoneidade. A vida não foi feita para ser
mostrada. A vida foi feita para ser vivida!
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