Bibliotecas Incineradas

Todos os dias penso no meu pai. Em quase 1 ano do seu falecimento, pensar que nunca mais o verei e sentirei seu abraço é uma situação complicada de lidar. Lembro dos tempos que ele me jogava pra cima, meus cabelos se esvoaçavam. 

Era uma alegria imensa. Hoje, nada mais restou além de lembranças e muita saudade. Ele fazia o "tipo" intelectual, sendo a pessoa que mais me incentivou a ler e, consequentemente, meu mentor. 

Sempre me pego pensando no futuro, como será minha vida, o que conquistarei e, consequentemente, na morte. Às vezes parece inútil viver, ter planos e objetivos, já que tudo se acabará com um último suspiro.

Sempre discuto esse assunto com meu primo Rafael. Mesmo que ele não saiba, é um niilista. Mas um niilista vulgar, daqueles que critica o viver, mas adora os prazeres que ela pode oferecer. Um tipo muito comum em nossos tempos. Quando eu falo nos meus sonhos de ser um grande intelectual, ser premiado e produzir uma grande e extensa obra literária, filosófica e sociológica; ele fala que isso será inútil porque quando eu morrer eu não vou usufruir de nada
Obviamente ele está certo porque quando morremos tudo se extingue, acaba a dor e também os prazeres.. Tudo se diluiu ao nada! Entretanto, não há nada mais louvável que deixarmos um legado glorioso para a posteridade, ser lembrado pelas gerações futuras. O Homem nasceu para a liberdade e esta não pode ser impedida pelas barreiras do tempo. Ser eternizado por conta de seus méritos e habilidades é a única forma de manter-se vivo. 

Esse é meu objetivo. Por mais que eu saiba que quando um homem sábio morre é como se uma biblioteca inteira tivesse sido consumido pela chamas. Foi nisso que eu pensei no último dia 24 de dezembro quando meu pai faleceu. No entanto, essas chamas produzem cinzas que podem voar mundo afora, impregnando a todos em que tocar. Não espero muito da vida. Na morte é que deposito todas as esperanças. A morte me fará grande!

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