Rádio e Mediocridade
Vinha no ônibus de linha 325 para o meu
trabalho, no Centro da cidade. Por falta de opção pus na rádio. Meu cartão de memória me pareceu escasso, mesmo tendo 8Gb de memória e centenas de músicas armazenadas. Acompanhava a
programação da Rádio Cidade, onde existe uma programação chamada "à moda
da casa" - nesta os ouvintes podem escolher, dentre 3 opções uma tal para
que seja ouvida novamente.
Hoje, dentre elas tinha uma
canção estrangeira e duas brasileiras. Entre as brasileiras tinha como opção a
canção "Saigon", interpretada por Emílio Santiago. Eu, como bom
necrófilo que sou, já tinha em mente a minha favorita caso fosse participar da
votação.
Fiquei decepcionado quando
percebi que a música estrangeira sagrou-se vencedora. Nada contra as músicas em
outros idiomas, simplesmente acho "Saigon" uma obra de arte. É rica, tem conteúdo. Em certa gravação, Renato Russo, que foi professor de inglês até os 23 anos, diz que prefere cantar em português porque tem certeza que as pessoas entenderão tudo o que ele está falando. Cantar em outro idioma que não o lusófono causa uma série de complicações.
Outra questão: Num tempo onde se louva demasiadamente a democracia, também a programação das estações de rádio são suas vítimas. Tenho a impressão que a maioria sempre idolatra o indigno e despreza o merecedor. Tenho a impressão que a noção de justiça é uma utopia, possível apenas em postulados filosóficos e, ainda assim, completamente à mercê de interpretação, da velha hermenêutica que ora se apresenta hermética e, noutra, flexível - dependendo da ocasião e conveniência.
Mas, o que mais me chamou atenção, é que a maioria parece sempre discordar da minha opinião. Antigamente isso me afligia muito. Me sentia deslocado, fora do contexto. Hoje em dia vejo isso como sinal de distinção. Não que eu me ache melhor que os outros, mas me orgulho do fato de me sentir diferente, distinto. Afinal, sou um gênio que fala para tolos ou um tolo que fala para gênios?
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