Sabedoria e Senilidade
Lembro-me de
uma entrevista de Eduardo Sterblich ao Jô Soares. Além de muitíssimo bom-humor, o artista me surpreendeu com uma inteligência diferenciada. O que me chamou
atenção foi um trecho em que este afirmava que gostava de velhos porque esses passam
credibilidade em tudo o que falava. Entretanto, não foi bem isso que observei nos
últimos tempos.
As contradições
do nosso tempo são pujantes em vários aspectos da vida cotidiana. Esse é um
tempo em que jovens tem de amadurecer rápido demais e velhos tendem a
infantilizar-se em busca de uma eterna juventude. Na faculdade, por exemplo,
estudei numa turma envelhecida (com 19 anos eu era um dos mais novos).
Porém, os
hábitos e comportamentos deles em sua maioria eram tão imaturos quanto os meus.
Por algum motivo as pessoas adquiriram um certo horror pelo antigo. O que vale
mais são as novidades, há uma espécie de culto ao novo, ao jovem. Sou rodeado
por velhos infantis e jovens senis.
Quando estagiei
no Teatro Amazonas, conheci Samantha Campos. Esta não cansava de me surpreender
com atitudes extremamente amadurecidas, palavras sábias e conselhos valiosos –
além de ser uma das poucas pessoas que confia nas minhas qualidades, possivelmente
mais do que eu mesmo. Por outro lado, tenho um amigo de 40 e poucos anos que ainda não descobri se
nos relacionamos bem por eu ser amadurecido demais ou por ele ser demasiadamente
infantil. Porém, verdadeiramente não me acho tão maduro assim. Na frente de Samantha,
minhas atitudes são tão ridículas que me sinto uma espécie de Charlie Harper
(egoísta e infantil), mas sem BMW, casa na praia e prostitutas de luxo.
Um dia, Benjamin Franklin disse que nos tornamos velhos cedo demais e sábios tardes demais. Entretanto, hoje em dia,
uma pessoa envelhecida já não é mais garantia de sabedoria. A maioria se importa em
manter-se aparentemente jovem. Seguindo as tendências da moda, assistindo aos
programas usualmente de audiência jovem, usam gírias e se comportar como os
mais novos. São como Peter Pan, mas com uma atração não pela infância, mas pela
adolescência. Na tragicomédia contemporânea os
personagens tem 40, mas pensam e agem como se tivessem 15.
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