Evangelização e Capital

Fui ao shopping Manauara almoçar. Quando saí fui abordado por uma religiosa que foi, sem a minha permissão, colocando um broche em minha camisa e me entregando um folheto. Fui pego de surpresa, pois estava distraído ouvindo Black Sabbath, por isso acabei pegando o panfleto que trazia estampado a imagem de São Judas Tadeu.

Tentando me livrar dessa situação continuei andando. A religiosa, me seguindo, pediu dinheiro. Não que eu tenha algo contra a filantropia, mas não faria sentido eu ser tributário da atividade religiosa já que sou ateu. O que achei interessante, e se tornou o motivo para eu escrever esse texto foi que, diante da minha recusa em dar meu dinheiro a mulher rapidamente retirou o broche e tomou o panfleto do padroeiro do Clube de Regatas Flamengo da minha mão. Que sacrilégio... O santo do FLAMENGO!!!

Isso significa que eu só merecia ser evangelizado se tivesse entregue meu dinheiro? De certa forma, eu apenas estaria comprando o broche e o panfleto com uma mensagem religiosa. Lembrei-me dos tempos da indulgência onde, de acordo com o dinheiro pago pela família, o sujeito poderia ir para o Céu sem a necessidade de ter seus pecados expurgados no local adequado: o Purgatório.

Obviamente, todas as atividades que exercemos é passível de geração de capital, de obter lucro, inclusive a religiosa. No entanto, as atividades religiosas devem ou deveriam angariar recursos para a melhoria dos seus espaços administrativos como mosteiros, conventos, escolas, orfanatos, etc. 

Porém, a intenção daquela mulher era a de encher seu próprio bolso. Frente ao interesse pecuniário, até o amor ao próximo se desfaz porque tudo que é sólido se desmancha no ar. Já que estávamos numa passarela, este axioma Marxiano se faz conveniente.

Não tenho nenhum problema com o dinheiro. As pessoas exageram ao culpar o dinheiro pelos males do mundo. O dinheiro é um dos maiores frutos da abstração humana. Ele ultrapassa barreiras físicas e geográficas. Proporciona coisas maravilhosas, se pararmos pra pensar. O mal não está no capitalismo, está nas próprias pessoas. 

Pode-se mudar o sistema econômico, a forma de governo, mas as coisas ruins existirão sempre. Não que o mal seja imortal, mas é que, enquanto existir a humanidade, existirá a maldade porque o mal está conosco.

Condena-se, claro, a exacerbação desse comportamento. A partir do momento em que a busca pelo lucro torna-se esquizofrênica e exagerada, ela torna-se também insalubre. Não há mal algum em ganhar dinheiro mediante a atividade religiosa, mas há de se impor limites. Não falo em questões relativos ao direito, mas as que condizem à moral e à ética.

Comentários

  1. Sem sombras de dúvida isso é uma realidade sem fim.
    E quem diria que um simples pedaço de papel dominaria tanto o mundo e que seria o principal motivo das coisas ruins que acontecem ao nosso redor diariamente.

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  2. Mas o problema não está no "pedaço de papel", o problema está nas pessoas mesmo. Conforme relatado na Bíblia, quando do primeiro assassinato (Caim e Abel) ainda não existia um sistema monetário.

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