Sobre a Democracia

 Vinha no ônibus. A noite manauara, só pra variar, estava quente. Os caboclos se apertavam no transporte coletivo. Quase chegando à casa da minha (ex) namorada, vi uma rua chamada Herodes.
De pronto, me espantei. O que me chamou a atenção é que a comunidade onde ela mora chama-se “Aliança com Deus”. Como pode uma comunidade que homenageia a religiosidade – com um dos principais símbolos dos primórdios religiosos da ligação Homem-Deus – ter uma rua que homenageia um dos principais algozes de Cristo?
A resposta é clara: O povo é estúpido. O mesmo povo que hoje clama por Jesus, que infestam a cidade com inúmeras igrejas, tendas e outras casas de adoração, foi o mesmo que outrora assistiu passivamente à crucificação e morte de seu principal herói. Fictícia ou não, a história de Jesus é um exemplo claro da estupidez e idiotice do indivíduo humano.
Não é incomum ver um eleitor lamuriando-se pela incompetência de um político. Ora, quem será mais incompetente: o eleitor ou o eleito? Há quem diga que o povo é vítima. Sinceramente, se o povo é vítima o é pela sua própria estupidez e ignorância. Nada mais que por seu próprio mérito!
Com um regime democrático, dá-se o poder ao mais incapaz de decidir e resolver os assuntos e rumos de um Estado. Isso porque a democracia é regida pela opinião da maioria, e isso não significa que a maioria seja competente.
Tem-se um resultado quantitativo e nunca qualitativo. Obviamente que este vem a ser o regime mais justo, entretanto, em hipótese alguma a justiça é suficiente quando os julgamentos daquele que julga são superficiais e por vezes irracionais, desprovidos de criticidade.
Mas, pensando de outra forma, que justiça há num sistema eleitoral onde o voto de Chico dos Pombos (cidadão politicamente alienado e despreocupado com as revoluções ideológicas que seu país necessita) tem o mesmo peso que o de Zygmunt Bauman ( intelectual cujo Anthony Giddens se rendeu e nomeou como o maior pensador da pós-modernidade)? 
Às vezes penso que uma sociedade deveria ser regida como numa aristocracia, onde sábios conduziriam o destino das pessoas. Isso seria possível (escolher sábios e pessoas justas e com faculdades suficientes para administrar de forma eficiente a sociedade) se contássemos com uma maioria capaz de fazer as melhores escolhas. A democracia é uma ótima forma de governo, tirando o pequeno detalhe de que quem escolhe os governantes é o povo.

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