Os Prédios e a Personalidade
Há pouco mais de 1 ano me mudei para o bairro de Santa
Etelvina, na zona norte de Manaus. Nesses 24 anos aprendi a viver na periferia.
Nem mesmo as longas viagens ao Centro da cidade me molestam.
Possivelmente essa é uma característica do conformismo (uma
das coisas que mais detesto), um sentimento indispensável para a felicidade ou
bem-estar espiritual.
Nesses últimos tempos aprendi que ficar se lamuriando e
evitar viver bem consigo mesmo por fatores externos é uma bobagem, um empecilho
para o bem-viver. Hoje em dia estou mais tranquilo e, possivelmente, mais
contente.
Uma coisa que tem me chamado atenção na redondeza da minha
moradia é a mescla entre o provincianismo e modernidade. Alguns núcleos do
bairro são agitados, com bares, restaurantes, um comércio intenso...
No mais, outras áreas são calmas, chegando ao enfadonho. Um
dia desses fui comprar umas cervejas e as tabernas estavam fechadas, como na
Manaus do século XIX onde era quase sagrado o descanso diário no horário do
almoço.
Interessante é que eu também não me sinto o mesmo de alguns
meses atrás. Testemunho o fato de que o ambiente que nos cerca influencia em
nossa formação intelectual e material. Da mesma forma que o bairro em que moro,
por vezes me vejo provinciano, em outras, moderno.
A nossa casa atual, pequena e modesta (bem diferente da
antiga) é palco das minhas indagações. Hoje, plenamente, posso concordar com
Winston Churchill quando afirmou que "primeiro, moldamos nossos prédios,
depois, eles nos moldam".
Há pouco tempo eu era um universitário monogâmico que
pensava em se casar e em conquistar o mundo. Hoje sou um empregado promíscuo,
solteiro convicto, que não espera muito da vida. Não sei se isso é natural ou
inevitável.
Talvez, assim como anunciou Marx, tudo o que somos é produto
das modificações materiais através dos tempos - inclusive as ideias e
possivelmente, nossa personalidade.
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