A Personificação do Brasileiro

Recentemente revirei alguns jornais antigos e acabei lendo algumas notícias antigas e, paradoxalmente, muitíssimo atuais. Numa das páginas que encontrei trazia um artigo do Bosco Saraiva. Regularmente, este mesmo articulista até escreve coisas interessantes, mas a que eu sorteei era, minimamente, de um péssimo gosto!
Bosco Saraiva elogiava Pelé com exagerados adjetivos e o trecho que achei mais ridículo foi: "um ser humano maravilhoso". Ora, não discutiremos aqui o talento, êxitos e méritos do Maior Atleta do Século XX, mas chamá-lo assim por suas competências sinestésicas e classificando-o pessoalmente e individualmente por isso é idiotice.
Um Homem não se constrói com gols, dribles e belas jogadas dentro de quatro linhas, mas com atitudes e valores que poucos são detentores.
Bem sabemos que o Brasil jamais foi um país intelectualizado. A estupidez do povo brasileiro é explícita, principalmente quando o assunto é nacionalismo.
O brasileiro passa a maioria dos seus dias falando mal do Governo e tomando atitudes cotidianas que apenas corrobora a ideia de que os políticos brasileiros (corruptos e desonestos) nada mais são que o reflexo de um povo que traz em suas veias, como uma patologia genética , essas mesmas características.
Apenas um fato faz o brasileiro encher-se de orgulho: uma partida de futebol. Quando a seleção brasileira de futebol está em campo, o sentimento nacionalista aflora à pele. Jogadores de futebol passam a ser assim ídolos nacionais, deuses.
Pelé é o Rei. Um rei que não reconheceu uma filha legítima temendo que esta estivesse apenas interessada em sua fortuna. Um rei que cobra cachê para comparecer em aniversários de amigos - tanto que em uma ocasião o argentino Di Stéfano declarou que não o convidaria por essa exigência do "ser humano maravilhoso" de Saraiva. 

Com isso, posso concluí que Bosco Saraiva é a personificação do brasileiro, daquele que idolatra jogadores de futebol e os classificam como seres humanos maravilhosos por conta de um talento que se resume a controlar uma bola. Uma falta de bom senso, inteligência e criticidade que habita todo bom e qualquer brasileiro.

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