A Babá e A Revolução dos Bichos

Com a chegada de um bebê e o fato de eu e minha mulher termos empregos formais, tivemos a necessidade de contar com a ajuda de alguém para cuidar da criança. Foi aí que decidimos contratar uma babá. Por ser um trabalho realizado em 3 ou 4 dias por semana em um turno de 7 horas, acordamos o pagamento de um salário abaixo do que exigiria um vínculo empregatício baseado na CLT. Mas, curiosamente, ainda assim algumas pessoas acharam que estávamos pagando muito por tão pouco trabalho efetivo. Na argumentação dessas pessoas, um bebê não dá tanto trabalho e criam que 200 reais era uma boa remuneração. Sugestão essa que eu rejeitei veementemente. 
Visto que essas pessoas são assalariadas e não parecem muito satisfeitas com seus salários e condições de trabalho, foi impossível não pensar e refletir sobre o fantástico A Revolução dos Bichos, de Aldous Huxley. Nesse livro, aparentemente fictício e com nenhuma conexão com a realidade, entre outras coisas o autor promove a exposição de certas atitudes tomadas por aqueles que ascendem ao poder. 
O livro trata de um grupo de animais que, revoltados com a exploração exercida pelo fazendeiro, resolvem tomar o poder sobre o lugar. No entanto, aqueles que antes eram contra os privilégios dos humanos que dormiam em camas quentinhas, que retiravam para seu usufruto o leite das vacas, os ovos das galinhas e das patas e negociava a carne suína e bovina, depois de um tempo passam a explorar seus próprios amigos de luta  e meio que traem a causa.
Resumindo: após a tomada do controle aqueles que eram outrora oprimidos, estes mesmos passam a oprimir. E essa foi a minha principal linha de argumentação para afirmar que o salário pago era condizente com o volume de trabalho. 
Não acho justo o salário que recebo na minha empresa e sempre fui um crítico do sistema capitalista que é, em essência, explorador. Por que eu pagaria um valor que considero injusto para alguém que está doando seu tempo de vida para cuidar do meu filho? Às vezes acho que tudo o que nos falta é um pouco de empatia e daquela capacidade de nos colocar no lugar dos outros... características estas que são tão improváveis de se solidificar num meio onde o que manda é a lógica capitalista fria e racionalizada.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O CURIOSO CASO DE RACINE NETO

O CARNAVAL DA VIDA

O Vírus e O Meu Trabalho na Hotelaria