Incêndios e Homofobia
Dias atrás, uma mulher foi agredida na saída de uma festa ao ser confundida com um travesti, aqui em Manaus. Sim, o que motivou a agressão foi algo de natureza torpe e revoltante. O fato é que homofobia sempre existiu, no entanto, agora ela tem cheiro, tem nome e tem cor: JAIR BOLSONARO.
Uma amiga psicóloga comentou comigo o pesadelo que uma paciente homossexual está vivendo nesse período de eleições, sofrendo com crise de pânico e ansiedade. O temor que a iminente eleição de um candidato declaradamente homofóbico tem afetado muitas pessoas. O medo de ser agredido por pessoas que não respeitam a diversidade sempre existiu, mas estamos a poucos passos de legitimar o preconceito.
Pessoas que simpatizam com o candidato, em sua maioria, tem em si uma ojeriza insana por quem não segue a orientação sexual padrão e estavam apenas esperando o momento certo pra se revelar. Lembro de uma vez que pai e filho foram agredidos por andar abraçados em uma festa de rodeio no interior de São Paulo. Sim, foram agredidos também por ser confundidos com homossexuais.
Já existia uma fagulha (não que sejam poucos os crimes de motivação homofóbica, mas creio que aumentarão), só faltava o combustível. Bolsonaro tratou de jogar lenha e assoprar, em cada declaração pública onde se torna evidente o ódio. Temos o triste e lamentável cenário para o fogo se alastrar e fazer pessoas gritarem na rua onde mora a paciente citada anteriormente coisas como "AGORA VAMOS PODER MATAR VIADO", conforme o "Coiso" se confirmava em primeiro lugar entre os presidenciáveis.
Mais uma vez, homofobia não começou um dia desses. Mas, como se diz entre os bombeiros, todo grande incêndio começa pequeno. O que era uma fagulha tende a se transformar em chamas de proporções nunca antes vista, conforme se alimenta. Aos meus amigos homossexuais, toda a minha solidariedade.
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