Promiscuidade Masculina


Sinto-me cada vez mais convencido que há certas características naturais da existência que são extremamente difíceis de superar. Uma delas envolve a monogamia. Havemos de levar em conta que o amor romântico é algo relativamente recente em nossa existência e o casamento, apenas uma convenção social.

A verdade é que somos impulsionados pelos instintos a se reproduzir. E a biologia explica muito bem a situação: imaginemos a vida nas savanas, quando nossos antepassados tinham que competir com feras mais fortes e mais velozes, sem o auxílio de ferramentas sofisticadas. Não devia ser fácil. A morte era iminente. A média de idade, dizem os arqueólogos, era em torno de 29 anos. Raros eram os casos em que se passava disso. Muitas crianças morriam de fome, eram abandonadas ou devoradas pelas feras que cercavam os agrupamentos humanos.

Crescer e multiplicar-se! Essa era a forma mais segura de perpetuar a espécie. Com uma gestação de quase 1 ano era difícil deixar a cargo das mulheres tal tarefa. O homem se desenvolveu com a missão de espalhar seus genes no maior número de parceiras possíveis em curto espaço de tempo.

Naquela época as mulheres escolhiam seus parceiros pelo porte físico. Aquele que pudesse proporcionar segurança e saciar sua fome deveria ser o escolhido. Eram tempos de extrema violência. Devia ser comum as viúvas serem "adotadas". Os homens focavam suas escolhas naquelas com o cabelo sedoso e sem marcas no corpo. O quadril largo poderia ser um sinal de facilidade para garantir uma gestação saudável. Seios e bumbum avantajados (reservatórios naturais de gordura) davam a impressão que suportariam a escassez de alimentos. O abdômen reto indicava a disponibilidade do útero para receber um embrião.

- Pegue quantas esposas quiser, desde que possa sustenta-las - devia dizer o ancião da mercearia... digo, da aldeia.

Inegável que muito do comportamento desse tempo se faz refletido na modernidade. Num período dominado pela racionalidade é difícil convencer as pessoas sobre o papel fundamental dos instintos e irracionalidades presentes em nosso comportamento. Como exemplo disso, temos que Schopenhauer e Nietzsche tiveram seus trabalhos mal vistos no meio acadêmico. A Vontade Como Representação teve apenas algo em torno de 100 exemplares vendidos em seu primeiro ano. Apenas na metade do sécuo XIX passou a exercer certa influência. O outro alemão, com sua discussão entre o apolíneo e o dionisíaco em O Nascimento da Tragédia, teve de ouvir  de um crítico de filologia que seu livro era uma vergonha.

Mas o fato é que em nosso tempo o homem tem que reprimir seus desejos. Somos impelidos a estudar, arrumar um emprego, casar e nas folgas levar a prole pra passar a tarde com a avó. Dizer que pretende ter um estilo de vida diferente é um pecado. Ser solteiro é ser taxado de homossexual - como se isso fosse demérito ou uma ofensa - pelos mais próximos. Não ter filhos é tido como sinal de infertilidade e, por isso, passa-se a ser visto como "menos homem" pelos defensores das convenções.

Enquanto isso os "moralistas" frequentam clubes de strip-tease, contratam prostitutas, experimentam sensações com travestis e outras práticas bestiais, flertam com a irmã ou prima da esposa, olham para as nádegas de sogra e concunhada, acessam regularmente sites de pornografia e só falam em sexo, bundas, peitos e vaginas em suas resenhas nada profícuas... nada mais comum na vida cotidiana que se acostumou com incoerência e se especializou em transmitir mentiras e discursos falseados. Em vez de buscar conhecer a origem dos seus "pecados", de compreender porquê mesmo tendo um casamento estável e duradouro se arriscam em uma relação puramente casual as pessoas preferem não pensar, seguem levados pelos ventos como se fossem um mero dente-de-leão.

Apenas o esclarecimento pode amenizar o sofrimento causado pela culpa. Nem todos estão preparados para uma relação tão árdua quanto a monogâmica. Se as pessoas esperam que homens olhem para um linda jovem de 18 anos bem dotada fisicamente e não sinta atração sexual isso não acontecerá tão cedo - pelo menos não nos próximos mil anos.




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