O Ateu Genuíno

Enquanto assistia um pequeno vídeo no Facebook, lembrei de uma vez que conversava com Samantha Campos. Nessa ocasião, explicava pra ela a possibilidade de Jesus ter uma linhagem sagrada. Acabei explicando um monte sobre a história da Bíblia desde o Antigo Testamento, citando as 12 tribos, por exemplo. Ela olhou pra mim rindo e disse:

- Acho engraçado: um ateu falando sobre religião.


Pelo menos naquela vez, seu comentário não pareceu maldoso... realmente achava engraçado. É muito comum a ideia errônea que as pessoas fazem de um ateu. Normalmente, são vistos como pessoas inflexíveis e que não acreditam em nada. Não é bem verdade.

Os ateus genuínos tem a obrigação de conhecer bem as religiões, tanto a parte histórica quanto a dogmática. Muitas vezes, ateus afirmam a inexistência de Deus argumentando as atrocidades cometidas por religiosos em nome desse Ser. Ora, quem cometeu a maldade foi o próprio Homem, não Deus. Por si só, esse argumento é insustentável. A religião só é falha porque o Homem é falho.

Já disse em outros textos que religião se discute, sim. O que não se discute é a religiosidade, isto é, a liberdade de uns e outros acreditarem naquilo que lhe convir. Desde que seja uma discussão pertinente e embasada. Fora isso, poderão duelar arduamente, mas, ao final do dia, ambos estarão derrotados.

Pois bem, a própria etimologia da palavra ateu (a= não/ teo= deus) parte de uma negação, logo, é importante conhecer bastante para, a partir de uma tese e antítese, obter uma síntese consistente. Para ser um ateu genuíno, deve-se ter bons argumentos. Ou se pode fazer como disse Paul Valéry: "quem não ataca o argumento, ataca o argumentador", mas isso me soa extremamente covarde.

Schopenhauer foi mais longe ao escrever 38 estratagemas para ganhar qualquer discussão. O livro foi publicado postumamente porque o autor se arrependeu desta obra. Isso porque ele acabaria ajudando pessoas mal intencionadas a atingir seus objetivos.

Por fim... Não há problema algum um ateu conhecer sobre religião. Isso passa a ser até mesmo uma obrigação. De tão relevante, afirmar que Deus não existe só deveria ser uma sentença digna de um Deus. Mas, no alto da minha falta de modéstia, ser ateu nunca foi uma opção. É simplesmente resultado de uma combinação de evidências praticamente irrefutáveis. Pena que um teísta pode também tecer a mesma afirmação.

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