Hipocrisia Carnavalesca

Chega o período de Carnaval e novamente os mesmo assuntos surgem na mídia. Há alguns dias tive o desprazer de ler um texto do apresentador Danilo Gentili sobre essa manifestação cultural. Segundo dizia, o ator - digo ator porque o mesmo de disfarça de apresentador, comediante, humorista e dublador e as pessoas acreditam - disfarçado de cronista queria ser presidente por um dia para abolir as festas de carnaval. Por que?

Em seu argumento, gasta-se muito do erário público para financiar as manifestações, doenças sexualmente transmissíveis de propagam e há um considerável aumento nos índices de violência e fatalidades no trânsito. Estaria ele equivocado? Obviamente não.

Porém, temos que atentar para o fato de que tais problemas não são sazonais, isto é, ocorrem o ano inteiro. Essas questões e, principalmente, a violência são fatos sociais, de acordo com definição de Durkheim. Duas das características dos fatos sociais são: generalidade e externalidade. Geral porque é comum em toda a sociedade (variado apenas as estatísticas) e externa porque existe independente do indivíduo.

Diariamente, pessoas transam sem preservativo, outras morrem no trânsito, gasta-se dinheiro de forma absurda com caprichos de nossos políticos (como o auxílio-paletó) - isso quando não temos nosso patrimônio desviado para contas particulares e sigilosas em paraísos fiscais.

A fim de manter o bem-estar da população, para um bom governante, a leitura dos conselhos de Maquiavel é indispensável. O carnaval nada mais é do que uma parte da política pão e circo presente nas admoestações maquiavélicas, não muito diferente do conteúdo das apresentações de stand up protagonizadas por Gentili. 

Uma tradição inventada e já consolidada é quase impossível extirpar de um povo. O Carnaval está impregnado, não tem como imaginar o Brasil sem este festejo de origem pagã. Um dos momentos mais emocionantes da minha vida foi quando assisti pela primeira vez o desfile das escolas de samba no sambódromo. Estava com meus amigos Janes e Ivonne. Foi maravilhoso, sem contar que dias depois a Aparecida sagrou-se campeã.

Deixemos essa hipocrisia barata de condenar o Carnaval e aprendamos a conviver com aquilo que não nos apetece.Viva o carnaval e todas as outras manifestações populares do povo brasileiro. Um povo que tanto já sofreu e algumas vezes já foi derrubado, mas sempre teve forças pra se levantar e sair sambando na ponta do pé!

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