Café na Maternidade e Evolucionismo

Voltei para o leito para ficar com minha mulher e filho na maternidade e acabo de passar por uma experiência fascinante.
Estava no refeitório tomando café com outros acompanhantes. Até aí tudo bem, mas logo percebi que das 4 mesas dispostas 1 delas estava ocupadas por mulheres. Nas outras 3, 1 homem em cada. Enquanto as mulheres conversavam, os homens permaneciam em completo silêncio. Contato visual? Jamais. O primeiro que chegou (eu) se sentou de costas para a mesa das mulheres. O segundo, de costas para o primeiro na mesa diametralmente oposta. O terceiro, de lado para os dois primeiros, sempre olhando para a parede a sua frente. Aí você me pergunta: o que há de fascinante nisso? Me refiro ao evolucionismo e o quanto o comportamento das savanas se manifesta em nossa vida cotidiana.
Vejamos: numa perspectiva evolucionista, especula-se que enquanto o homem saía para caçar, as fêmeas ficavam com a prole na aldeia socializando entre si, saindo em grupos para coletar frutos e raízes comestíveis na redondeza, compartilhando informações sobre quais itens consumir ou não, plantas venenosas, acontecimentos recentes, mexericos e etc. Enquanto isso, a caça era uma atividade solitária ou, quando realizada em bandos, exigia o máximo silêncio, foco e concentração. Por isso, mulheres mais sociáveis e homens mais focados tiveram mais sucesso em dar vazão aos seus genes. Isso explica porquê a maioria dos homens só sabem fazer uma tarefa de cada vez e porquê mulheres são péssimas em enviar uma localização específica pelo recurso de áudio do WhatsApp - já que não saiam pra muito longe do assentamento. 
Há quem reverbere a infeliz sentença "é apenas uma teoria", mas não há dúvidas no meio acadêmico que o Evolucionismo seja um fato científico e  que as evidências estão aos nossos olhos.
Meu café da manhã foi assim: enquanto deveria saborear um delicioso pão com manteiga, eu pensava em Charles Darwin, Robert Winston e Richard Dawkins. Por isso digo que viver uma aventura em busca de conhecimento é bastante prazeroso, mas às vezes é também atormentador.

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