Escolhas, Livre-Arbítrio e Paternidade
Tive durante muito tempo a obrigação de ir à igreja. Creio que muito do que poderia ter aprendido antes na minha formação pessoal foi postergado por conta do isolamento e alienação que a religiosidade cristã proporciona aos seus adeptos.
Música, dramaturgia, artes, ciências, cultura... tive comprometido meu aprendizado por se julgar certas coisas como mundanas, impuras ou impróprias e incoerentes com a postura esperada de um homem de fé.
Hoje comprei alguns sapatinhos para o meu filho e, dentre eles, um par do Flamengo e outro do Corinthians, que é o time para o qual minha companheira torce. Refletindo, vi o quanto posso influenciar os gostos, anseios e perspectivas do meu Leozinho. Entretanto, tentarei não ser um sujeito inflexível em certos pontos. Garanto que ele terá toda a liberdade de escolher seu posicionamento político e religioso, que poderá escolher para qual time torcer, qual área escolherá para atuar profissionalmente.
Claro que não me espantará que ele seja um vascaíno, religioso, adepto à política neoliberal, funcionário do setor privado e formado em Ciências Exatas. Como disse o poeta, filho é... na ausência de adjetivos, filho da puta mesmo!!
Mas, brincadeiras à parte, existem certos aspectos que não podemos negligenciar na criação de um filho como, por exemplo, os valores éticos e morais universais. Entretanto, outras coisas temos o dever de deixá-los escolher, questões idiossincráticas ou pessoais. Temos que deixá-los sentir que não apenas existe o livre-arbítrio, mas que eles saibam exatamente que podem exercer seu direito à escolha e ser artífices do seu destino. Nossa obrigação é instruir e não definir o que nossos filhos serão - como se isso fosse possível -, mantendo-os em "bolhas" que só retardarão seu amadurecimento e crescimento pessoal.
Que eu possa ter sabedoria nessa jornada. Até breve, Leonardo!
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