O Dia dos (não) Pais
Chegando o segundo domingo de agosto e eu me preparo para ver uma infinidade de postagens de amor repentino aos pais que se manifestam em um único dia. Infelizmente o meu já partiu dessa para um pior, mas, se ainda estivesse vivo, não seria certa a minha visita porque não curto fazer algo simplesmente por convenção ou por uma mera selfie.
Estava assistindo à série How I Met Your Mother e em certo episódio o promíscuo personagem Barney comemora o dia dos não-pais após uma possibilidade de gravidez não se confirmar. Confesso que passei a achar injusta o fato de não existir no calendário o dia nos não-pais, mas, pra falar a verdade... todo dia é dia dos não-pais!
Não há nada melhor do que acordar na hora que se deseja acordar, de comer na hora que te dá vontade, de não ter que aturar um emprego pela obrigatoriedade de ter que sustentar outra pessoa que, no futuro, por mais que você se empenhe, ainda pensará que seus esforços não foram suficientes. Apenas um não-pai desconhece o dissabor de ter que acordar a qualquer momento para preparar papinhas, de ter que trocar fraldas quando o que se queria mesmo era voltar no tempo e ter usado camisinha e ainda ter sua rotina alterada por um erro que chora quando faz cocô e faz cocô quando chora.
Não consigo ver a paternidade como uma dádiva. Sempre que observo com atenção não consigo enxergar felicidade nos olhos de alguém que se dedica a cuidar de um pequenino. Sem contar que os erros crescem, começam a falar, se metem em problemas. São problemas que geram mais problemas.
Domingo será um dia especial: mais um dia que eu não fui agraciado com o fardo que é a paternidade, mais um dia que eu posso usufruir da minha liberdade. Talvez eu vá ao Centro ver o show da Alcione ou talvez eu fique em casa assistindo o futebol e conferindo minha pontuação no Cartola. Mais uma vez usando uma paráfrase de Emil Cioran, cometerei todos os pecados menos o de ser pai.
Feliz Dia dos Não-Pais!!!
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