Um Relato Ateu sobre o Natal
"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Esse é um dos trechos bíblicos que mais me identifico. Porém, contrariamente aos propósitos daqueles que me doutrinaram, quanto mais eu estudo o universo e tudo que nele há, mais eu me aproximo do ateísmo.
No princípio, minha inquietação partiu de pesquisas que empreendi sobre as origens do Natal. Ler textos de filosofia também foi fundamental, pois foi em Bacon que entendi as dimensões do conhecimento, o quanto aquilo que sabemos pode estar contaminado nos levando a uma apreensão errônea da essência das coisas.
Demócrito afirmava que não era possível chegar a saber o que cada coisa realmente é, havendo apenas a possibilidade de aproximar-se da realidade. Durante a história da Humanidade, muitos foram os homens que fizeram da busca pela Verdade uma questão vital. Entretanto, estamos em crise. Aceitamos as instituições culturais e sociais com imensa frivolidade, sem o mínimo de criticidade.
Minha geração não produz pensadores, no máximo são meros repetidores de ideas. Chega o dia 25 e me preparo para as sandices que são ditas a respeito do significado do Natal. Aos meus leitores indico que faça uma pesquisa em busca das origens desta data. Verão que não tem nada a ver com o que se diz atualmente. Trata-se de uma comemoração apropriada e ressignificada com um grande fundo mercadológico e adestramento social.
Muitas pessoas alegam que não importa a história macabra por trás do simbolismo que envolve o Natal e sim o significado que envolve: paz, união, confraternização, amor, fraternidade etc. Porém, não é isso que acontece.
O número de mortos e vítimas de violência no dia 25 é absurdo. Sem contar aqueles momentos em que as pessoas, mesmo se odiando, se abraçam, se beijam e trocam presentes; tudo para se manter as aparências - o que causa asco. E o que dizer daquele arroz com uva passas? Pavoroso.
Para algumas pessoas, trata-se apenas uma oportunidade para se entregar às vicissitudes comparáveis aos desregramentos do Hell Fire Club. O Natal é uma farsa armada para congregar os mentirosos e entreter os cínicos; tão original quanto um Rolex comprado no Beco do Relógio.
Comentários
Postar um comentário