Princípios

Interessante como a religiosidade imprimiu em nossa sociedade uma forma de ver o outro de uma forma tão particular. Falava recentemente com uma tal Luanna Santos via Facebook - confesso que foi uma das conversas mais improfícuas da minha vida. A conheci há alguns anos, em idos tempos em que eu era apenas um rapaz adventista.

Notei que em suas fotos mais recentes tinha ares eróticos e algumas imagens pareciam ter sido tiradas em baladas na companhia de outros jovens. Aquilo me causou certa curiosidade e logo perguntei:

- Você bebe? Costuma sair?
- Não! Eu tenho princípios.

Essa resposta me deixou tão intrigado que me motivou a escrever. Será que uma pessoa que ingere bebidas alcoólicas é assim tão inescrupuloso? Obviamente, não. Como os ateus costumam dizer: religião não define caráter. Seguir uma denominação religiosa que coíba uma porção de coisas "mundanas" não garante a integridade de ninguém.

Um legado da reforma protestante em associação ao capitalismo é a ojeriza pelos desregramentos envolvendo a bebedeira e a jogatina. Porém, não há mal algum quando o consumo de bebidas não seja desregrado. Para alguns tem algo que apoteótico, uma verdadeira catarse - no sentido aristotélico do termo.

Uma mesa de bar oferece a oportunidade de reciclar a alma e revigorar o espírito. Uma cerveja gelada associada a uma conversa minimamente intelectualizada vale mais que um sermão direcionado a converter potenciais pensadores em seguidores imbecis.

A própria Bíblia não condena o consumo de bebidas alcoólicas, ela condena única e exclusivamente a bebedeira - que vem a ser seu usufruto desequilibrado, tal qual fez Noé no Antigo Testamento. Como disse certa vez meu amigo, o ex-filósofo de botequim Wagner Santos, se beber fosse pecado Jesus não teria transformado água em vinho e sim em Fanta Uva!

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