Malévola

Um dia desses cheguei em casa após mais um dia de trabalho e menos um de vida. Sentia frio, sono e algumas sensações estranhas me ocorreram: senti falta de alguém. Parafraseando Kant, o sentimentalismo afeta os julgamentos. 

É muito incomum a saudade em mim porque eu categorizo as pessoas em 3 tipos . Ou seja, existem aquelas que eu tolero, as que eu não gosto e repudio suas presenças e, as mais raras, são as que gosto e sou capaz de sentir falta.

Conversava com minha "quase sobrinha" Johanna. Ela, assim como eu, é uma solteira convicta. Sugeriu que eu, assim como ela, comprasse um gato. Ela já tem o seu bichinho que, estranhamente, recebeu o nome de "Malévola".

Digo "estranhamente" porque acho os gatos umas criaturas muito afeminadas. Um homem heterossexual nunca deve ter um gato. Não consigo ter medo de um felino como esses. Parece muito incompatível um gato ter um nome de Malévola.

Enfim... Mas eu não senti falta de uma namorada simplesmente. Se eu tiver uma namorada um dia, ela será especial. Não sou de ficar com qualquer pessoa. Senti falta especificamente da minha ex-namorada, das brigas pelo cobertor na madrugada, do beijo de boa noite.

Conversava com minha prima Nayana sobre a minha única namorada. Diante da pergunta "Você voltaria com ela?" Respondi: pensando com a razão, não. Pensando com o coração, sim. Amar e assumir um relacionamento exige um altruísmo demasiado, praticamente impossível para um misantropo como eu, afinal misantropia e amor são coisas polarizadas e largamente incompatíveis.

Passei a noite falando da minha ex-namorada, do quanto a sua presença poderia me fazer feliz. Johanna respondia minhas mensagens prontamente. Pensei em telefonar, ignorando o inconveniente do tardar da noite. 

Mas eu tenho que manter a minha fama de mau. "Homem não chora nem por dor, nem por amor". Me despedi da minha quase sobrinha. Na minha mente apenas um sentimento reverberava: 


Preciso de um cachorro!

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