O Drama na Lateral Esquerda do Manaus FC

É raro, mas não incomum acontecer crises em determinados setores dos times de futebol. Muitas vezes os times padecem nestas situações seja por má fase dos atletas, lesões, falta de jogadores para a posição no patamar econômico do clube, etc. No caso do Manaus, parece ser um misto de tudo isso. 

A posição de lateral com a evolução do jogo mas últimas décadas vem se tornando cada vez mais ingrata. Para ser acima da média, o atleta tem que possuir uma série de características que vem se tornando cada vez mais difícil garimpar novos talentos, pois do lateral se exige vigor físico, capacidade de construção de jogo, boa marcação, senso de colocação e cobertura, boa recomposição, saber trabalhar a transição ofensiva e defensiva... ou seja, uma série de expertises ofensivas e defensivas.

Quando passei a acompanhar o Manaus FC mais de perto, o titular da posição era Negueba. Diferentemente do companheiro da lateral oposta, sempre foi duramente criticado. Negueba é um bom jogador: canhoto de bom drible e passe, bom na bola parada, participativo ofensiva  e defensivamente, mas que caía fisicamente no segundo tempo e deixava a desejar na marcação. Há quem chamasse o setor esquerdo da defesa do Manaus de Avenida Negueba. Em muitos jogos os resultados vieram de maneira sofrida. Lembro-me do segundo jogo contra o São Raimundo (PA) pela Série D de 2019. O Manaus precisava fazer o resultado e ele veio: 1x0 no tempo normal com gol de pênalti do Hamilton, o que levou a decisão para os pênaltis. Mas antes da glória, o limitado time paraense criou muitas jogadas pela direita (esqueda defensiva do Manaus) e se não fosse a boa atuação do goleiro Jhonatan e dos zagueiros, a belíssima campanha do acesso ficaria por ali mesmo. 

As cobranças foram muitas e Negueba foi dispensado. Para 2020 a diretoria trouxe Rennan e Caíque. Ambos muito bons jogadores. Caíque foi eleito o melhor jogador do Campeonato Amazonense e prometia uma boa Série C, mas, por motivos ainda meio nebulosos, acabou amargando o banco. Rennan começou o nacional como titular, mas assim como todo o time, fazia apresentações medíocres. A primeira vitória veio com um gol dele. 2x1 sobre o Paysandu. Ainda assim, seu desempenho dava margens para críticas e a diretoria surpreendeu contratando Tsunami por empréstimo junto ao Cuiabá e dispensando Caíque, que voltaria para a Jacuipense. 

Com formação na zaga, esperava-se melhorias defensivas no setor com a chegada do novo jogador. Tsunami passou a ser titular no time de Luizinho Lopes, à revelia de boa parte da torcida que ainda não digeria a saída de Caíque e a não utilização de Rennan, que amargava o banco de reservas. Tsunami não se mostrou o bom marcador que todos esperavam. Muitos gols saíram em suas "costas". Gols que custaram pontos e que, no final das contas, foram determinantes para a não classificação para a segunda fase da Série C. Ambos os atletas foram dispensados para a atual temporada.

Para 2021, o Manaus trouxe o experiente Thiago Costa e Dudu Mandai, ex-Remo. Com predicados, ambos davam a impressão que resolveriam os problemas recentes na lateral-esquerda do clube. Thiago Costa logo deu seu cartão de visitas na Copa Verde: um bonito gol de falta contra o Atlético Acreano. Dudu Mandai foi bem nas vezes que teve oportunidade. Mas aí vieram as lesões. Costa rompeu o ligamento e não tem previsão para voltar. Dudu teve problema menos grave, provavelmente será o titular na temporada e a diretoria trouxe o veterano Assis para compor o elenco. Enquanto isso, Douglas Lima vem sendo improvisado até que alguém da posição tenha condições de jogo.

Torcemos pela recuperação dos atletas e desejamos o melhor para todo o time do Manaus. Mas é curioso ver como um mesmo setor pode seguir por tanto tempo sendo um problema. A lateral-esquerda é uma posição que o Manaus Fc precisa resolver o quanto antes. 

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