Manaus e as lições da Série C
Após 20 anos, um time amazonense ascendeu no campeonato brasileiro de futebol. Foi o Manaus FC, clube recém fundado que chegou à final da Série D de 2019 e se classificou para disputar a Série C em 2020. Sabíamos que se tratava de uma competição duríssima. Times tradicionais e suas camisas "pesadas", alguns "pequenos" em ascensão e bem organizados, viagens longas, ausência de público nos estádios... Mas tínhamos confiança de boas apresentações.
Desde a sua fundação, o time amazonense se mostrou interessado em grandes feitos que, para aqueles que torcem contra o futebol amazonense, eram pretensões que não combinavam com a dimensão do clube.
Mas o Manaus vem crescendo. A não classificação para a segunda fase da Série C soa como fracasso, mas há sempre diferentes formas de se olhar para um fato. Ao mesmo tempo em que o Manaus não se classifica, ele se garante para a sequência de uma Série C e, se tudo der certo, voltará fortalecido, com mais bagagem para disputar a competição, novos contratos com patrocinadores e um elenco reforçado. Com planejamento e organização administrativa é possível levar o time em breve à elite do futebol nacional, mas é preciso avançar em alguns pontos.
O Manaus caiu em um grupo forte, de adversários do peso de um Santa Cruz, Remo e Paysandu. Times importantíssimos em suas regiões, com jogadores experientes e campões de torneios e campeonatos do peso de uma Série C. Não voltar para a Série D era o principal objetivo, mas fomos além. O Manaus derrotou o líder geral da competição em seus domínios e chegou na penúltima rodada dependendo apenas de si para avançar na competição. Por outro lado, vemos um Brusque que acaba de tomar uma goleada de 8 gols em casa e um verdadeiro duelo pela permanência na terceira divisão entre os paraibanos Treze e Botafogo.
Olhando assim, não parece ter sido tão ruim os resultados do Manaus.
Pecamos em não ser mais audaciosos durante as partidas. O futebol burocrático e na maior parte do tempo reativo do treinador Luizinho Lopes dificultou a volta de um futebol vistoso e mais ofensivo como já era marca do time amazonense. Em muitos momentos era claro que o objetivo do time era não perder, tendo isso como consequência a diminuição do ímpeto por vitórias. Não à toa o Manaus foi o time que mais empatou na competição. O técnico também demorou a apostar no futebol de Hamilton, ídolo da torcida esmeraldina. Tanto que a melhor fase do time só veio após a entrada e manutenção da titularidade do Ibra da Amazônia, como o jogador é carinhosamente chamado. No momento, ele é inclusive um dos artilheiros da Série C, tendo pela frente na última rodada a pior defesa da competição e com reais possibilidade de terminar a primeira fase como artilheiro e com maior média de gols, já que nas primeiras rodadas nem sequer entrava durante as partidas.
Por fim, vale ressaltar enfrentamos equipes com maior capacidade de investimento. À exemplo disso, na última partida contra o Remo, ambos os times lançaram uma campanha de ingresso virtual a fim de arrecadar recursos. Enquanto o clube paraense vendeu 2.500 ingressos, o amazonense vendeu pouco mais de 250, ou seja, apenas 10% da capacidade de engajamento do tradicional time de Belém. Enquanto nossos irmãos paraense se mobilizaram e arrecadaram ao menos 50 mil reais para a equipe, nós conseguimos míseros 2.500 reais, o que pouco vai impactar na gestão financeira do clube.
Vimos times que contaram com medalhões como Leonardo Moura, o goleiro Felipe, os zagueiros Kanu e Danny Morais, o meia Felipe Gedoz e o atacante Neto Baiano - todos com passagens por grandes times do futebol brasileiro e experiência na Série A e até mesmo na Libertadores da América. Infelizmente o Manaus está longe do patamar desejado para competir com esses times, mas sabemos que com trabalho e empenho podemos crescer e em breve ascender à Série B do campeonato brasileiro. Boa sorte, Gavião do Norte. Estamos juntos!
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