Porquê Chamo Meu Filho de Príncipe
Nesses meses em que a paternidade passou a fazer parte da minha vida, algumas coisas têm me chamado a atenção. Coisas como a sensação instintiva de obrigatoriedade de cuidar da criança, as respostas inconscientes ao choro, o imediatismo requerido pelos bebês, etc.
Nesse meio tempo, uma das formas que passei a chamar meu filho foi "Píncipe" - numa clara infantilização da palavra. O fato é que, como um príncipe, bebês esperam que suas decisões sejam respeitadas e obedecidas. Como um regente monárquico, bebês esperam tributos na forma de excedentes da produção de alimentos. Tal qual um príncipe português de um período específico da nossa história, um bebê exige a quinta parte da produção do ouro para a manutenção da opulência e mordomias da sua boa vida na corte.
Posso jurar que em meio aos seus reclames já ouvi algo do tipo "O Estado sou eu" saindo de sua banguela, repetindo a frase daquele famoso regente absolutista francês.
O jornalista Laurentino Gomes, em sua trilogia sobre a História do Brasil, apresenta em sua narrativa que o príncipe regente Dom João VI não se limpava após defecar, deixando tal tarefa para um "especialista". Este que, dada a intimidade com o mandatário realizava suas obrigações com enorme prazer e se sentia um privilegiado. Isso lembra alguma coisa?
Dadas as comparações e aproximações essenciais, temos que deixar claro que eles não têm certos aspectos comportamentais por mero capricho ou egoísmo consciente. São mecanismos de defesa naturais que os condiciona agir desta ou daquela maneira. Trata-se portanto da fundamental capacidade de autopreservação.
Logo, exalando cheiros, chorando de variadas formas a fim de reivindicar suas necessidades eles podem externalizar comportamentos que numa análise fria seriam classificadas como detestáveis. Mas, mais uma vez apelando à argumentação evolucionista, são questões de enorme importância para a própria perpetuação da espécie.
Ser pai tem suas mazelas. O príncipe às vezes cobra pesados impostos que você sozinho mal consegue pagar. É ter poucas horas de sono. É colocar suas prioridades de lado pra satisfazer as necessidades de outra pessoa. Mas, na boa, como é bom ser súdito de uma alma tão pura. Tê-lo em meus braços, poder tocar seu rosto, sentir o seu cheiro compensa qualquer sacrifício.
Papai te ama, Príncipe Leonardo!
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