Síndrome de Down e Fraternidade

Fizemos uma viagem em família no mês de Outubro e estivemos na vila de Alter do Chão, no estado do Pará. Logo no primeiro dia uma cena das mais marcantes da minha vida ocorreu. Já tinha visto, enquanto perambulava pelas ruas com minha namorada, um hippie portador de síndrome de down. Estava lá com seus pares confeccionando e expondo seus artesanatos. 
De noite saímos para a praia em grupo e, nesse meio, estava meu primo Ramon - que também é especial (em todos os sentidos).No caminho, os dois se encontraram. Não tinha como prever o que aconteceria. Ramon e o Hippie trocaram algumas palavras e se abraçaram. Honestamente, achei aquilo lindo. Um abraço sincero, de duas pessoas que sentem na pele diariamente o odor do preconceito, mas aquela característica que normalmente os deixa alijados da sociedade foi o que motivou aquela efêmera demonstração de afeto e fraternidade. 
Um detalhe que me chamou atenção foi o fato de que Ramon é adventista e vive uma vida de pequenos luxos e comodidades. O outro, era um hippie que abdicara desses mesmos luxos para viver uma vida que para muitos soa meio que marginal. Mas, naquele momento, as diferenças foram anuladas. O respeito e o amor ao próximo prevaleceram. 
Num período onde vemos tantas demonstrações gratuitas de desrespeito e ódio, o exemplo desses dois rapazes me deram um motivo para acreditar. Talvez um dia tenhamos maturidade suficiente para usar as diferenças para nos unir em vez de nos afastar. Para reconhecer que fazemos parte de uma espécie onde se evidencia a diversidade, mas que acima de tudo, nos reconheçamos como partes a um todo bem maior. Um todo que se ama, que se solidariza, que respeita e que, sem se importar com as diferenças, se abraça.

Comentários

  1. Nossa,que lembrança linda do amor.Historia maravilhosa que deve ser compartilhada .Muito bem meu primo.

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    1. Ajuda aí a divulgar o meu trabalho aqui nesse blog. História linda mesmo. Muito marcante para mim.

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  2. Parabéns Renan pela sensibilidade. Acredito na minha geração!

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