Relações Ecológicas e Paternidade

Em uma conversa, lembro da minha cunhada ter comparado certa vez a gestação à uma forma de parasitismo. Isso pode parecer assustador, mas tem seu fundo de verdade. Vejamos: um feto é um organismo que se beneficia de outro organismo, fazendo dele seu hospedeiro e sugando boa parte dos nutrientes ingeridos por ele, sem necessariamente levá-lo a óbito. Isso lembra alguma coisa? Se formos conceituar, se aproxima muito do que se tem como parasitismo nas ciências biológicas.
No entanto, existem outras formas de relações ecológicas na natureza onde o parasitismo é apenas uma delas. Interessante o conceito de associação, mutualismo, comensalismo e inquilinismo, por exemplo, que são relações benéficas para ambos os envolvidos. Desde que recebi a notícia de que serei pai, isso tem me assustado. Terei que alimentar e prover uma outra vida, cumprindo assim a função exigida por aquele papel social. 
Minha namorada terá um inquilino que provocará náuseas, vômitos e enjoos, no princípio. Após o parto necessitará dos cuidados mais básicos e apenas ao se aproximar do primeiro ano vai conseguir se locomover sozinho. Necessitará de alimentos, roupas, remédios e outros cuidados pessoais. E tudo deverá ser provido por nós, os pais. 
Entretanto, espero que possamos ter uma relação simbiótica mútua e que ele absorva apenas o que eu tiver de bom. E que possa reconhecer, no futuro, que foi dado o nosso melhor em cada etapa de sua vida. E que cada erro possa ser redimido com o mais sincero perdão. Te esperamos, meu parasita favorito. Que possas vir com saúde e sejas um ser humano maravilhoso. 

Até breve!

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