Nada Como Uma Reprise

Um dia Heráclito disse que um homem não passa pelo mesmo rio duas vezes. Primeiro porque o homem já não é mais o mesmo e segundo porque aquelas águas já passaram, portanto o rio também já não o é mais idêntico. Obviamente, essa observação do filósofo efésio foi incrível, mas o mesmo não imaginou os impactos e desdobramentos que esta tomaria. Com um oportuno exemplo, me permitam prosseguir.
Recentemente assisti ao filme Bater ou Correr em Londres, com Jack Chan e Owen Wilson. De uns tempos pra cá, decidi rever vários dos filmes que idolatrei nos tempos da minha infância/adolescência. Inversamente ao que senti por Eu, Eu Mesmo e Irene, esse filme me encantou ainda mais. Lembrava de ter me divertido muito assistindo a esse filme pela primeira vez - há mais de dez anos. Mas dessa vez, muito daquilo foi diferente. O acúmulo de conhecimento e experiências me fizeram ver e sentir coisas que num primeiro momento não fora possível.
Ter sapiência de dados e fatos de Chaplin, Arthur Conan Doyle e Gene Kelly nos metamorfosearam novos homem e filme tornando um verdadeiro espetáculo o fato de reprisar esse humilde exemplar da sétima arte.
Achei maravilhosa a cena de luta com guarda-chuvas enquanto ao fundo tocava a melodia de "Singing in The Rain". Cada golpe sincronizada com movimentos no guarda-chuva e acordes musicais me pareceu esplêndido. Confesso que me emocionei!
Mais pra frente a criatividade dos roteiristas em encaixar as histórias de Arthur Conan Doyle e Sherlock Holmes com a estória do filme que se desenrolava me proporcionaram um estado quase que apoteótico.
Chaplin embarcando para os Estados Unidos junto com as personagens da trama... isso tudo me divertiu de uma maneira especial, menos ingênua e mais consciente da genialidade humana. Interpretei tudo como um verdadeiro ode à criatividade.
Sempre que possível, reprise. Assim como reler um livro oferecem fatos que num primeiro momento se fizeram irrelevantes, assistir novamente a um filme proporciona emoções revigoradas e incrementadas de sensações inéditas que lhes farão confiar no simplório axioma: Nada como uma reprise!

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