Bichinhos de Estimação
Sempre vejo pessoas postando fotos com seus bichinhos de estimação. Acho bem legal, mas não consigo me imaginar fazendo a mesma coisa. Não tenho um animal de estimação em casa pelo mesmo motivo que não tenho filhos ou namorada: essas coisas exigem tamanha dedicação e altruísmo que me causa medo. Mas há ainda outra questão:
Uma vez tive um cachorrinho. Seu nome era Pituxo. Lembro muito bem dele, apesar da minha pouca idade na época. Nutria um sentimento muito forte por ele, mas infelizmente sua estada conosco não foi duradoura. Poucas semanas depois de ser adotado ele faleceu subitamente. Foi muito doloroso.
Desde esse momento decidi que nunca mais teria qualquer espécie de relacionamento que pudesse ocasionar em apego emocional. Tudo isso numa tentativa de evitar a dor. Mas o pior mesmo é imaginar que alguém o tenha envenenado, ou seja, alguém intencionalmente pode ter tirado a vida de um ser inofensivo como aquele pequeno cão.
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| Sócrates |
Ontem recebi a notícia de que outro gato dos meus sobrinhos tinha sido envenenado. Apesar de não gostar muito de felinos tinha 2 gatos que eu gostava muito e ambos morreram da mesma forma: Pandora (que eu chamava "gato de meditação") e Sócrates (o gato que só sabia que nada sabia).
Repentinamente fiquei entristecido. Num desses momentos de reflexão que não se chega a uma resposta plausível, pensei: o que leva um ser humano a assassinar um animal tão carinhoso e dócil como um gato? Nunca entenderei o motivo de tamanha crueldade.
É uma pena perceber que o Sapiens é uma espécie com uma visível inclinação à violência. É bem possível que tenhamos sido responsáveis pela extinção de megafaunas e, talvez o pior, pelo extermínio de outras espécies hominídeas como os Neandertais, por exemplo. São coisas como essas que me faz perder a fé na Humanidade.
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| Aurora e sua ninhada (Pandora, Regina, Sócrates e Pitágoras) |
Talvez um dia tenha novamente um animalzinho na minha casa, mas por enquanto preciso conviver com pensamentos perturbadores e ininteligíveis sobre crueldade e violência que parece ser intrínseco ao gênero humano que, associando um pouco de mitologia à esse relato, podemos dizer que somos uma espécie de Rei Midas às avessas. Um gênio naturalmente mau que mesmo quando demonstra altruísmo, filantropia
e caridade parece ter enrustidas terceiras intenções mesquinhas.
Descanse em paz, Sócrates!!


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