Paixão e Bloqueio Intelectual
Estava
há alguns dias sem escrever. Sentia-me meio desestimulado, parecia que me
faltava inspiração. Um dia desses aleguei estar com preguiça quando questionado
por Eduarda sobre a ausência de novas publicações. Ela, como sempre e
desta vez com razão, duvidou do que lhe disse.
Conversava
sobre isso com meu colega de trabalho e amigo Rominik. Nesses meses de
convivência diária desenvolvemos uma intimidade ímpar, incomum para os meus
padrões.
Obviamente,
como as pessoas normais fazem, comentei que estou gostando demasiadamente de
uma garota e, em meio ao meu bloqueio intelectual, foi Rominik que me deu a
resposta para tudo o que está acontecendo: a paixão por outra pessoa está me
fazendo concentrar as faculdades nesta pessoa, por isso não estou conseguindo
escrever.
Ora,
isso agora me parece tão claro que me sinto envergonhado de não ter percebido
sozinho. Logo eu que me acho tão bom observador não me dei conta de algo que
ocorria comigo mesmo.
Após
terminar com minha namorada há mais de 1 ano e 6 meses, prometi que não
deixaria a paixão me invadir novamente. Sempre que isso ocorreu e, abruptamente
se esvaiu, as cicatrizes foram irreparáveis.
Não
que eu tenha medo da dor, afinal a dor existe para ser sentida. Nada é mais
autêntico e verdadeiro que a dor. Amar falsamente é possível. Mentir e enganar
a si próprio quando se pensa amar... Também!
Mas
isso nunca ocorre com a dor. A dor me causa mais admiração que o prazer, o
bem-estar ou o amor. Enxergo o amor e a paixão como uma patologia. Logo, se
apaixonar-se é uma doença, meu bloqueio intelectual nada mais é que um efeito
colateral.
Quando
Newton se isolou numa fazenda alcançou o ápice de sua produção intelectual. Não
conheço um só grande pensador que estava apaixonado quando produziu algo
importante. Nem mesmo quanto aos poetas românticos pode-se garantir que estavam
verdadeiramente apaixonados.
De
resto, paixão e intelectualidade parecem ser coisas que não combinam muito bem.
Mesmo em doses moderadas ou equilibradas, o sabor não parece ser tão bom. A
dicotomia é clara, o antagonismo, evidente.
Porém,
desta vez foi diferente. Antes eu culpava a inocência e ingenuidade por
deixar-me apaixonar. Hoje, por mais que eu saiba todo o processo que ocorre em
nossos cérebros, os nomes das principais substâncias que são liberadas pelo
organismo a fim de proporcionar prazer e bem-estar quando se apaixona por
outrem e ter desenvolvido mecanismos para evitar a paixão, não fui capaz de
evitar. Quem inventou o amor? Renato Russo se pergunta isso em uma canção.
Para mim, essa pergunta será eterna.
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